Bom, quem me lê aqui no blog já sabe que eu adoro cartas (senão, clique aqui).
Há pouco tempo descobri um projeto lindo, chamado Love It Forward, cujo objetivo é levar amor para quem esteja precisando através de cartas. Pessoas que estão passando por momentos difíceis recebem cartas e/ou cartões cheios de mimos, arte e palavras de incentivo, sem julgamentos.
Em minha segunda semana na lista, chegou o endereço de uma moça de 25 anos que, por conta da depressão, quis colocar um fim em sua vida. Tudo o que eu sabia dela era que amava videogames e rosas. Com o primeiro tema não posso ajudar muito, então mandei uma carta cheia de "rosas" para ela.
Com a cartinha, como vocês podem ver na foto, enviei todo os textos impressos do Mulher Verde para ela, coloridos, e também folhas em branco nas quais carimbei rosas para que ela possa pintá-las como quiser.
Colocados na carta, post-its com rosas. E a cartinha, é claro.
Se esse projeto também tocou seu coração, escreva para loveitforwardlist@gmail.com e peça para ser incluíd@ na lista.
É sempre bom ajudar quem precisa.
Mostrando postagens com marcador arte de escrever cartas. Mostrar todas as postagens
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domingo, 23 de agosto de 2015
sábado, 27 de junho de 2015
O inverno e a arte perdida de escrever cartas
Estava arrumando meus materiais de papelaria, há cerca de 15
dias, e descobri que tinha muitos carimbos espalhados por cada cantinho da casa.
Peguei uma linda caixa em forma de livro que ganhei como presente
de despedida dos meus colegas em uma das últimas editoras em que trabalhei (a
caixa tem a forma de um livro antigo de Jane Austen, Pride and Prejudice) e
coloquei todos eles lá dentro, juntinhos, ao lado de carimbeiras que adquiri há
muitos anos e também de uma carimbeira nova, azul e vermelha, que funciona com um
mero apertar de botões, que adquiri na loja virtual Veio na Mala.
Esses carimbos me fizeram lembrar que eu adoro escrever
cartas. Sempre gostei. E neste inverno gelado vejo que não tenho motivos para ficar só na
saudade das cartas trocadas.
Sobre essa arte perdida de escrever cartas, posso dizer que
tudo começou com um anúncio que coloquei nos classificados da revista Rock
Brigade. Ganhei novos amigos de todas as partes do Brasil. Depois, quando
comecei a fazer o zine Paraphernalia, os amigos atingiram dimensões
internacionais. Houve meses em que cheguei a postar cerca de 50, 60 e até 80
cartas no correio. Hoje não me vejo trocando tantas cartas com tantas pessoas, pois o tempo é escasso e eu prefiro qualidade à quantidade.
Trocávamos cartas, impressões sobre música, política, bandas, fitas cassete
(ok, revelei minha idade agora), zines, livros, flyers, anarquismo, feminismo... Algumas dessas pessoas
sumiram da minha vida, infelizmente, mas outras são amigas até hoje, por meio das redes sociais.
Mas, com a Internet, as cartas ficaram escassas. E eu ainda sinto
uma vontade danada de escrevê-las. Da espera ansiosa e saudável para receber
uma resposta (que não tem nada a ver com a ansiedade doentia de receber logo
uma resposta, seja pelo celular ou pelo computador). Dos selos, dos papéis
selecionados para cada amiga ou amigo em particular. Da alegria de ver algo
palpável que chega nas mãos de um homem chamado carteiro. (Agora me lembrei de
quando mandávamos algo mais valioso pelos correios, como um CD, por exemplo, e
escrevíamos um bilhetinho no envelope: “Senhor carteiro, por favor tenha
cuidado: conteúdo frágil”. Santa inocência.)
Esta semana, utilizando as mensagens de voz do WhatsApp
(porque, querendo ou não, a Internet e a telefonia ceular nos conectam com
pessoas das mais diversas distâncias), eu a Iony, do blog Alma Rubra, falávamos
sobre as cartas que já trocamos e as que ainda vamos trocar. Queremos resgatar
essa arte perdida, e é por isso que eu lhe convido para vir conosco neste
retorno saudoso das cartas.
Se você quiser receber uma carta minha, são duas as opções:
1) Pode me escrever primeiro, e eu lhe respondo.
2) Pode me mandar seu endereço e eu escrevo uma
carta para você.
Minhas amigas mais próximas, é claro, já têm meu endereço,
mas, se você não tiver, peça pelo e-mail doitherself@gmail.com.
Aliás, este não é um post apenas para as amigas e os amigos mais próximos (embora saibam que
são muitíssimo bem-vindos). A ideia é conhecer gente nova também.
Neste inverno, vamos resgatar esta arte perdida. De
preferência escrevendo com um chazinho bem quente do lado, ou escrevendo
debaixo do cobertor quentinho, ou seja lá como você quiser.
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