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sábado, 29 de junho de 2013

Relato (atrasado) da Segunda Vermelha 2013

Em 6 de maio de 2013, comemorou-se, pela sexta vez no Brasil, a Segunda Vermelha.

Andei um pouco desanimada em relação a essa comemoração por uns tempos, mas, quando estávamos bem pertinho da Segunda Vermelha de 2013, decidi que gostaria de participar novamente, pois foi uma celebração que eu também ajudei a trazer para o Brasil há cerca de seis anos e não fazia sentido me “retirar” dela com meu coração ainda batendo fortemente quando o assunto é menstruação e saúde das mulheres.

Para quem não sabe, a Segunda Vermelha é comemorada uma segunda-feira antes do Dia das Mães e seu objetivo é fazer com que as mulheres se tornem mais conscientes sobre sua menstruação e seus ciclos.

Para comemorá-la (ou celebrá-la), basta usar algum item vermelho e ter a consciência de que menstruar não é algo vergonhoso, mas sim um sinal de saúde.

Em 2013, comemorei a data com outras mulheres pela primeira vez, com minhas irmãs do círculo de mulheres. Eis aqui o convite do grupo para a Segunda Vermelha:



Outras mulheres também comemoram e me concederam a honra de publicar aqui os convites para suas celebrações:


Acima, banner da Segunda Vermelha de Luciana Britto e Márcia Paula, de Itanhaém, São Paulo




Acima, banner da Segunda Vermelha de Eloá Rosa e Trina Máa Círculo de Mulheres, em Joinville, SC




Acima, banner da Segunda Vermelha de Babi Guerreiro e seu Círculo Feminino de Gaia, de Santos (SP)



Cartaz de Mariana Nunes Faria, de Minas Gerais



Agradeço a todas as mulheres acima pela partilha e espero que esses convites sirvam de inspiração para outras mulheres na Segunda Vermelha 2014. Até lá!


domingo, 28 de abril de 2013

Segunda Vermelha 2013

Este ano, pela primeira vez, vou comemorar a Segunda Vermelha com outras mulheres. Sempre comemorei sozinha, mas dessa vez será diferente.

Se você estiver em São Paulo e quiser se juntar a nós, eis o convite:



segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Tenda Vermelha, de Anita Diamant


Mas vejam só vocês. A gente acha que escolhe um livro para ler, mas, na maioria das vezes, o livro é que escolhe a gente. Em março, peguei nas mãos pela centésima vez o livro “A Tenda Vermelha”, de Anita Diamant, publicado pela Editora Sextante no Brasil e que teve mais de 3 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

A despeito do tema menstruação, que muito e sempre me interessa, eu não gosto de ler romances históricos. Temas bíblicos também não me agradam. Então por que haveria eu de ler aquele livro justamente agora?

O fato é que passei dois meses absorvida, no meu pouco tempo livre, pela leitura desse livro. Encantanda com as possibilidades antigas das mulheres em suas tendas vermelhas. E, para quem não puder (ou simplesmente não quiser) ler o livro, vou tentar fazer um resumo, a partir de agora, de como eram as tendas vermelhas nos tempos antigos.

Quando a menina tinha sua primeira menstruação, as mulheres da casa (mães, irmãs mais velhas e criadas, por exemplo) entoavam uma canção gutural reservada ao nascimento, à morte e ao amadurecimento das mulheres. As mulheres menstruavam na Lua Nova, e com a primeira menstruação de uma menina suas unhas e sola dos pés eram untados com henna, assim como suas pálpebras eram pintadas de amarelo. Elas recolhiam todas as joias que conseguissem encontrar e forravam os dedos das mãos e dos pés, os tornozelos e os pulsos da menina. Cobriam-lhe a cabeça com o mais fino bordado e levavam-na para a tenda vermelha. Lá dentro cantavam às deusas.

Enquanto as mulheres cantavam canções de boas-vindas, a moça comia mel de tâmaras e bolos de fina farinha de trigo com a forma triangular do sexto feminino, e bebia vinha doce. Tinha suas costas, braços e ventre massageados com óleos aromáticos até ser adormecida. Depois era levada para desposar a terra, conforme ritual descrito a seguir.

Levava-se até a menina uma taça de metal polido com vinho fortificado, escuro e doce, com propriedades sedativas. Depois, pintava-se uma linha vermelha dos pés até o sexo e, a partir das mãos fazia-se um padrão de bolinhas que era conduzido até o umbigo.

Para que a menina pudesse “enxergar longe”, usaram kohl em seus olhos e perfumavam-lhe a cabeça e as axilas. Tiravam-lhe a roupa que usavam e colocavam-lhe uma mortalha para placenta que ficava dentro da tenda vermelha como vestido. As outras mulheres alimentavam a menina e tudo era feito em clima de festa e amor. Seu pescoço e suas costas eram massageados, canções eram entoadas, todas dançavam e batiam palmas.

Havia então a parte final do ritual, que eu não vou descrever aqui por receio de alguém ler e sair fazendo a mesma coisa por aí, o que não acho, de modo algum, indicado. Se quiser descobrir, vá ler o livro (rs).

A menina, então, era conduzida de volta para a tenda vermelha, onde dormia. Era considerado de bom augúrio se ela sonhasse e perguntava-se que forma a deusa tinha tomado em seu sonho.

Depois desse ritual, a moça ficava na tenda durante os três dias seguintes, recolhendo seu fluxo num vaso de bronze, já que “o primeiro mênstruo das mulheres constituía poderosa libação para a horta”. Quando o ritual acabava, havia um costume mais antigo ainda de aguardar sete meses após a primeira menstruação para que a moça pudesse se casar. Depois disso, passavam a usar um tipo de cinto que as identificava como mulheres que já haviam menstruado.

Hoje em dia, as mulheres não mais celebram a menstruação das meninas e, antigamente, era considerado um tabu não fazer essa celebração do primeiro sangue, recebendo a menina na vida de mulher com cerimônia e com ternura.

Depois da primeira menstruação, as meninas eram consideradas mulheres e passavam a usar, além do cinto citado anteriormente, um avental e a cobrir a cabeça. Também havia a vantagem de não precisar carregar e ir buscar coisas durante a Lua Nova, quando poderia sentar-se junto das outras mulheres dentro da tenda vermelha durante 3 dias e 3 noites, até a primeira visão da Lua Crescente. Durante esses três dias, o sangue vertia em cima de palha fresca.

De fato, era respeitado o período de descanso menstrual mensal das mulheres dentro das tendas vermelhas. Para mim, esse era um ponto de valorização das mulheres. E uma outra evidência dessa valorização, em minha opinião, é que, “após o nascimento de um menino, as mães descansavam de uma lua à outra, mas o nascimento de uma doadora de vida requeria um maior período de separação do mundo dos homens”.

E você acha que as mulheres ficavam quietinhas na tenda vermelha? Não. As mulheres grávidas podiam entrar na tenda e falar sobre o que sentiam a cada mês. As outras falavam das façanhas de seus filhos e filhas. Trançavam o cabelo uma das outras e faziam massagens nos pés umas das outras com óleos, bem como comiam bolos e davam o peito a seus bebês.

Muitas mulheres, durante sua menstruação, só usavam as cores vermelho e amarelo, as cores do sangue da vida e o talismã para uma menstruação saudável.

Havia mulheres que não podiam entrar na tenda vermelha? Sim. Aquelas que já haviam passado do seu período de engravidar e as que ainda não haviam menstruado.

E, para terminar, a fala de uma das personagens do livro, Zilpa:

“O fluxo escuro do mês, o sangue curandeiro do nascimento da lua, para os homens isto é fluxo e mau feitio, aborrecimento e dor. Eles imaginam que nós sofremos e consideram-se sortudos. Nós não os desenganamos. Na tenda vermelha, a verdade é conhecida. Na tenda vermelha, onde os dias passam como uma corrente ligeira, enquanto o dom de Innana corre por nós, limpando o corpo da morte do último mês, preparando o corpo para a vida do novo mês, as mulheres dão graças pelo repouso, pela restauração, pelo conhecimento de que a vida vem de entre as nossas pernas, e de que a vida custa sangue.”

sábado, 4 de junho de 2011

Material da Segunda Vermelha 2011



Para quem não sabe, há alguns anos comemoro a Segunda Vermelha.

Este ano fiz uma pequena apresentação no Espaço Naradeva Shala sobre cyberativismo menstrual, no evento organizado pela Sabrina Alves (Clã dos Ciclos Sagrados), com a participação de Monika Von Koss (ela autografou meu livro Rubra Força!!!) e da Bia Fioretti.

Conforme prometido, no evento que foi transmitido por Twitcam, baixe aqui o PDF com o conteúdo da minha apresentação.

Digam-se se gostaram, se não gostaram, o que vocês teriam acrescentado...

Abraço a tod@s!

sábado, 30 de abril de 2011

Segunda Vermelha 2011





Em razão da campanha Segunda Vermelha 2011, deixo aqui, para download, o número 4 do meu fanzine, Maria Sogna Tutte le Notti, para quem se interessar. Este ano a Segunda Vermelha será comemorada em 2/5/2011, ou seja, uma segunda-feira antes do Dia das Mães.



Vale dizer que este número é especial e traz textos publicados neste blog, em formato PDF, bem como alguns textos inéditos, além de dicas de leitura etc.

Se você gostou do fazine, deixe um recadinho aqui no blog ou mande um e-mail para mim....