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domingo, 16 de março de 2014

2014: o ano da minha saúde




2014, para mim, é o ano da saúde. Foi no dia 27/1/2014 que passei por um procedimento super invasivo, mas que pode salvar minha vida: a cirurgia bariátrica. Há 18 anos eu vinha tentando de tudo para emagrecer, por questões de saúde, mas não conseguia e, ao contrário, só engordava mais e mais, tornando-me mais incapaz de ter uma vida normal a cada dia que passava.

Fiquei cinco anos enrolando para fazer a cirurgia e, ano passado, cheguei no limite. Dores nas costas, nos pés, nas pernas, dores de cabeça cada vez mais fortes e frequentes, fígado com gordura, casamento indo pra cucuia, autoestima inexistente, medo de entalar na roleta do ônibus e outras coisas fizeram com que eu tomasse essa decisão radical e irreversível.

No início do ano, tirei uma carta do Oráculo da Deusa e, para minha surpresa, minha deusa em 2014 é Higeia, a deusa da saúde.

E, para completar, na última Lua Nova, utilizando o mesmo oráculo, minha deusa desta lunação foi Sulis, que eu não conhecia, a deusa da saúde e da doença. Considerada uma deusa solar, Sulis representa as profundezas em que todas as pessoas têm de mergulhar na jornada para a luz, a saúde e o bem-estar.

Essa minha jornada não está sendo tão terrível quanto eu imaginava. Nos primeiros 15 dias, passei por uma dieta líquida, em que os alimentos eram batidos no liquidificador e depois coados, ou seja, eu só tomava uma "aguinha suja". Esse período era meu maior medo. Tinha receio de enlouquecer por não poder comer, visto que vários médicos me diagnosticaram com compulsão alimentar. Mas uma tia querida veio para São Paulo ficar comigo no pós-operatório e metade desses 15 dias foram muito mais suportáveis do que imaginei. 

Depois desses 15 dias, entrei numa dieta pastosa e então percebi que conseguiria viver sem alimentos processados, sem refrigerantes, embutidos e outras tranqueiras que eu havia me acostumado a comer.

Hoje estou com quase 50 dias de operada. Como diz minha psicóloga, que eu amo de paixão, esta é uma cirurgia educativa. Atualmente como pouco, mastigo muito, tomo muita água, não como alimentos processados, nem gordura ou doces. 

Quanto "sinto falta da gulodice", procuro outra coisa para fazer que não seja comer, e minha vida nunca foi tão tranquila em relação a comida, ao menos por enquanto. Eu não sinto fome porque meu estômago não produz mais grelina, que provoca a fome. Mas não posso me descuidar, porque, quando eu tiver 3 ou 4 meses de cirurgia, essa fome vai voltar, e eu espero estar preparada para ela com a reeducação alimentar que venho fazendo.

Conforme diz Amy Sophia Marashinksy, em "O Oráculo da Deusa", em seu texto sobre Sulis, "a doença é um mode de ficar de frente  a frente com o que não está mais funcionando e uma oportunidade para mudar isso". Eu tive essa oportunidade e agora me encontro em uma jornada de cura do meu corpo. Essa jornada deverá levar uns dois anos (ou a vida toda!), mas eu não me importo. O que vale é a minha saúde, para que eu possa viver mais tempo junto das pessoas que eu amo.

Aliás, minha mudança também está refletindo na alimentação e na saúde da minha família, já que agora temos cada vez menos porcarias industrializadas em casa, bebemos mais água e nos sentamos à mesa para fazer as refeições em família.

Agradeço aqui a Higeia e a Sulis pela oportunidade da jornada e pela reflexão. Que ambas continuem me guiando em relação à minha saúde não só em 2014, mas pelo resto da minha vida!


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Minha deusa do ano: Higéia

Em 2013, quem me acompanhou foi Kali e, em 2014, minha deusa do ano será Higéia. 

Acho que isso acontece com todo mundo, mas estou eu lendo um livro que não tem nada a ver com deusas, um livro sobre história da higiene no Brasil e eis que, de repente, na página 18, surge um texto sobre... Sim, ela mesma, Higéia.

Como uma forma de homenageá-la por este ano que passaremos juntas, reproduzo aqui o texto do livro de Eduardo Bueno, Passado a Limpo:

Higéia, a deusa grega

Quadro de Gustav Klimt representando Higéia, 1945

Ecos da medicina e dos conceitos de higiene praticados no Oriente Médio chegaram até a Grécia clássica, que se tornaria o berço da medicina ocidental. Ao contrário do que se supõe, a medicina "racional" dos gregos - cujas bases foram lançadas por Hipócrates (460-377 a.C.) - não implicou uma ruptura com as crenças mágico-religiosas anteriores, até porque o culto ao deus Asclépio se manteve florescente.

Asclépio (ou Esculápio, em latim) era filho de Apolo e da ninfa Coronis. Tirado por Apolo do ventre da mãe no momento em que ela já se encontrava na pira funerária, o nascimento de Asclépio configurou uma vitória sobre a morte. Por isso, ele virou o deus da medicina. A arte de curar foi-lhe ensinada pelo centauro Quíron. Mas, por ter interferido no ciclo natural de vida e morte dos humanos, Asclépio foi fulminado por um raio de Zeus.

Sua obra teve continuidade com as duas filhas, Higéia (ou Hígia) e Panacéia. Ambas representam bem a dicotomia entre saúde e doença. De Higéia deriva a palavra "higiene", cujo significado remete às "práticas e condições que resultam em boa saúde", ao passo que Panacéia quer dizer "remédio". Assim, "enquanto Higéia se transformou no símbolo da arte de manter a saúde, Panacéia representa algo mais corpóreo e terreno: as doenças e seu tratamento", observa o pesquisador Luís Graça. Panacéia, assim, personificaria "a medicina organicista, tecnicocêntrica e hospitalocêntric que triunfou com o advento do positivismo, há cem anos, e na qual se fundam os atuais sistemas e políticas de saúde do Ocidente", mais preocupados em remediar do que em prevenir.

Como quer que seja, ambas as deusas, bem como o pai e o avô, são invocadas já nas primeiras linhas do juramento de Hipócrates: "Juro por Apolo médico, por Asclépio, por Higéia e Panacéia, fazendo-os minhas testemunhas, que cumprirei inteiramente este juramento de acordo com as minhas capacidades e discernimento".

BUENO, Eduardo. Passado a limpo: história da higiene pessoal no Brasil. São Paulo: Gabarito, 2007, p. 18.