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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Hino a Héstia



Este não é um daqueles hinos antigos. É um hino mais contemporâneo (e nem sei se deveria ser chamado de "hino", pois não sei se ele teria uma "estrutura de hino"), criado por Lady Bella Sundancer. Não lembro como ele chegou até meus olhos, mas lembro que, no início do ano, eu escrevi que um de meus objetivos era fazer de minha casa um lar. Então lá vai a tradução que fiz do Hino a Héstia:

Ave Héstia, Senhora do Fogo
Senhora do Coração, Senhora do calor e do conforto
Sua casa é um abrigo para todos,
Um lugar para aquecer o coração e a alma
Com seu poder forjamos nosso círculo,
Forjamos nosso metal, forjamos nossos desejos
Do seu fogo nasce a civilização
O fogo queima, o fogo limpa, o fogo acende
A fumaça é Sagrada, a fumaça se transforma em nuvens, a fumaça transmuta
Do coração fazemos nossa morada
Um lugar no qual todos sejam bem-vindos
Ou apenas um lugar no qual possamos nos abrigar
Embora você tenha um outro lado,
Um lado talvez menos acolhedor
O fogo consome, o fogo causa explosões, o fogo destrói
A fumaça sufoca, a fumaça obstrui, a fumaça mata
Das cinzas retornamos renovados
Transformados por sua centelha
Emergimos do escuro para a luz
Você é uma verdadeira mestra
Senhora do coração e da casa
Senhora da chama
Senhora do saber
O fogo é perfeito para se contar histórias
Levando-se a sabedoria das eras
Senhora do fogo e da chama, nós lhe rogamos
Por calor, proteção e força de vontade

domingo, 9 de janeiro de 2011

Héstia - O Cálido Lar (de "Meditações Pagãs", Ginette Paris)




Héstia é representada com porte muito ereto, suas vestes cobrindo-a quase completamente, ao mesmo tempo imponente e discreta, de uma imobilidade notável. Em pé ou sentada, não sugere qualquer movimento. Calma e dignidade emanam dela.

Embora poucas histórias e mitos cerquem Héstia, não se deve pensar que ela tem menos importância que os outros deuses do Olimpo. É menos fulgurante e não se fala muito dela, mas pelo lugar que ocupava na vida diária era uma das mais glorificadas. O fato de haver poucas histórias relacionadas a ela demonstra que Héstia não gosta de mundanças, nem de aventuras; há, portanto, pouca história para contar porque quase nada acontece com ela. (...)

Héstia é o centro da Terra, o âmago do lar e nosso próprio centro pessoal. Ela não deixa seu lugar; é preciso ir até ela. Robert Graves diz dela: "A mais suave, justa e caridosa de todos os deuses do Olimpo".

O lar do grego médio, na Antiguidade, dispunha, em primeiro lugar, de uma lareira, em torno da qual se construía uma casa. O espaço doméstico era organizado em torno de uma lareira e Héstia era essa lareira. Havia apenas uma palavra para designar tanto a lareira quanto a deusa que nela habitava. (...)

Este era o coração da casa, o lugar da intimidade familiar, um abrigo do tumulto, pois Héstia protege, recebe e dá segurança. (...) Brigas e disputas não podiam ter lugar na presença de Héstia, pois a lareira era um lugar de paz e segurança. (...)

Conhecer Héstia é também compreender que num inquietante número de lares o fogo central se apagou.

(...) a arquitetura moderna, como é praticada, está dominada por valores masculinos. (...) O interior da casa é cada vez mais encolhido e a fachada é concebida para "ser vista". A sala de estar, que serve mais para visitas sociais do que para a vida familiar, é, em muitas residências, mais espaçosa e luxuosa que os outros cômodos usados para toda a família.

(...)

Héstia é encontrada onde a família descobre seu centro. (...) Héstia corresponde àquilo que é o núcleo da afeição, das necessidades, das preocupações e das atividades da família.

(...)

Héstia está, principalmente, empenhada em reunir, no tempo e no espaço, aqueles que constituem o lar.

Na Roma antiga, onde o culto a Vesta era até mais desenvolvido, ela presidia o preparo das refeições e o primeiro trago ou bocado de comida lhe eram consagrados. Em vez da oração cristã de agradecimento pelos alimentos, ou outras formas profanas de iniciar a refeição, como dizer "saúde", a fórmula "para Vesta" era o início ritual de suas refeições.

(...) para ter uma vida familiar que nos aqueça, devemos, assim como à chama de Héstia, mantê-la, cuidá-la, alimentá-la e colocá-la no núcleo de nossas atenções.

(...)

A segurança que ela [Héstia] pode trazer está relacionada à estabilidade, à tradição e à preservação de bens que nos sustentam em tempos difíceis.


Uma de minhas resoluções de ano novo é transformar, a cada dia, o lugar onde moro em um lar. Para tanto, reli os capítulos sobre Héstia no livro cujo nome está no título dest post e coloquei aqui os trechos mais significativos (páginas 217 a 241).