terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Minha deusa do ano: Higéia

Em 2013, quem me acompanhou foi Kali e, em 2014, minha deusa do ano será Higéia. 

Acho que isso acontece com todo mundo, mas estou eu lendo um livro que não tem nada a ver com deusas, um livro sobre história da higiene no Brasil e eis que, de repente, na página 18, surge um texto sobre... Sim, ela mesma, Higéia.

Como uma forma de homenageá-la por este ano que passaremos juntas, reproduzo aqui o texto do livro de Eduardo Bueno, Passado a Limpo:

Higéia, a deusa grega

Quadro de Gustav Klimt representando Higéia, 1945

Ecos da medicina e dos conceitos de higiene praticados no Oriente Médio chegaram até a Grécia clássica, que se tornaria o berço da medicina ocidental. Ao contrário do que se supõe, a medicina "racional" dos gregos - cujas bases foram lançadas por Hipócrates (460-377 a.C.) - não implicou uma ruptura com as crenças mágico-religiosas anteriores, até porque o culto ao deus Asclépio se manteve florescente.

Asclépio (ou Esculápio, em latim) era filho de Apolo e da ninfa Coronis. Tirado por Apolo do ventre da mãe no momento em que ela já se encontrava na pira funerária, o nascimento de Asclépio configurou uma vitória sobre a morte. Por isso, ele virou o deus da medicina. A arte de curar foi-lhe ensinada pelo centauro Quíron. Mas, por ter interferido no ciclo natural de vida e morte dos humanos, Asclépio foi fulminado por um raio de Zeus.

Sua obra teve continuidade com as duas filhas, Higéia (ou Hígia) e Panacéia. Ambas representam bem a dicotomia entre saúde e doença. De Higéia deriva a palavra "higiene", cujo significado remete às "práticas e condições que resultam em boa saúde", ao passo que Panacéia quer dizer "remédio". Assim, "enquanto Higéia se transformou no símbolo da arte de manter a saúde, Panacéia representa algo mais corpóreo e terreno: as doenças e seu tratamento", observa o pesquisador Luís Graça. Panacéia, assim, personificaria "a medicina organicista, tecnicocêntrica e hospitalocêntric que triunfou com o advento do positivismo, há cem anos, e na qual se fundam os atuais sistemas e políticas de saúde do Ocidente", mais preocupados em remediar do que em prevenir.

Como quer que seja, ambas as deusas, bem como o pai e o avô, são invocadas já nas primeiras linhas do juramento de Hipócrates: "Juro por Apolo médico, por Asclépio, por Higéia e Panacéia, fazendo-os minhas testemunhas, que cumprirei inteiramente este juramento de acordo com as minhas capacidades e discernimento".

BUENO, Eduardo. Passado a limpo: história da higiene pessoal no Brasil. São Paulo: Gabarito, 2007, p. 18.

3 comentários:

Mônica Azevedo disse...

E viva asincronicidade!!

Dru Arnaldo de Nicola Macchione Macchione disse...

Higéia e Artemis sempre combinam bastante suas ervas e verdes- conceito, luminosidade estelar, a perene floresta com suas madeiras

Strega Mamma disse...

Adorei a publicação ! tem tudo a ver com o que estou passando agora...e espero que acabe logo !!! Com carinho, Liz